AJUDA

A natureza pede ajuda. Destruidores inveterados, nós, tontos tolos bobos seres humanos, construímos em nossas almas a expansão doída dos atos que se alimentam do vazio dos dias atuais. Estamos presos a correria de um tempo sustentado por angústias metrificadas livremente. Dói-me a certeza inexata das horas arquitetadas na espontaneidade com que acabamos com as coisas. Vivemos dispersos em nós mesmos como um coro de vovôs zonzos, como jogos de bozós dolosos, como os tombos de troncos tortos, como ocos gnomos sem dorso, como mortos poldros torvos. A raça humana pede ajuda. Ainda habitamos um mundo de grandes belezas naturais, no entanto não sabemos preservá-las. O homem, esse solto tosco roto menino, vem degenerando o planeta em prol de um progresso regado a comodismo e sonhos materiais. É incrível a quantidade de esgotos que se despejam a céu aberto em mares e rios descaracterizando a pureza natural que sempre invadiu esses ambientes tão fascinantes e que poderiam trazer continuamente lazer e descanso para esse bondoso sonoro povo. Perdemos a noção do que é belo. Estamos sujos espiritualmente, nosso interior é tão poluído quanto nosso exterior. Estamos no sonho de um sono sem ronco, no sopro de um rosto bem fosco. Somos racionalmente maus. A luta por uma vida melhor levou nossos desejos para um longo oblongo broco destino carregado de sensações individualizadas e sensacionalistas. Onde estão os botos, socós e mochos de nossa fauna? Onde estão os protos dodôs cotós de nossa imaginação? Onde está o vôo de certas aves como o condor, o tordo e o corvo? Onde estão os cofos, colmos e golvos desse planeta? Quero todos os pombos, potós e mocós vivendo em harmonia, quero visualizar tranqüilamente um porco, um corço ou um polvo, quero todas as pessoas pisando em paz nesse mono solo mogno.

Aroldo Ferreira Leão