CERTEZAS

Teus pensamentos humanizam-te, tornam-te um guerreiro de alma solta e livre. Teu amor condiciona-te a melhorar-te cada vez mais, a buscar-te em todo gesto de perdão e compreensão que possa existir no universo. Tua dor recoloca-te na desenfreada meta de aprimorar-te como gente, põe nos teus olhos a visão nítida por um mundo menos violento e mesquinho. Teus sentimentos elevam-te, transformam-te, impulsionam-te para os mistérios de ti mesmo. O tempo equaciona a métrica sisuda de tuas angústias, disseca a insensatez que vem até ti num ritmo alucinante de inovações bestiais. Teus limites propalam o sonho visceral de um dia seres perfeito e teres na alma a alta doçura dos iluminados pelo virtuosismo clássico dos sorrisos pueris. Tua necessidade de achar-te na poeira fantasmagórica do teu vazio interior dá a correrioa que te domina uma tranqüilidade repentina. Teus descompassos dançam o samba desmemorizado de um tempo erguido com os alicerces da tua própria individualidade. Estás entre tua inércia que procura vivência e tua dinâmica de ação lenta e inesperada. Rebuscando tua identidade humana tens encontrado a tua sutil decadência, a desmotivadora sensação desmilingüida pelas circunstâncias. Perdeste as certezas, o encanto, o desmembramento que refez teu antigo emolumento perdido nas controvérsias do dia-a-dia. Teus desejos agrupam-te na tua desestruturada empáfia, ensinam-te a sobreviver num sistema confuso de perturbações generalizadas. Tuas conceituações especulativas a respeito da vida clareiam teus desertos, sondam tua sina empírica de viveres sempre além das tuas razões. Tua loucura esmiuçou-te, aprisionou-te aos enigmas tiranos dos que não se vêem em si mesmos. Teus movimentos acenaram para a saudade que brotou de tuas mãos cálidas e modestamente tristes.

Aroldo Ferreira Leão