SURPREENDENTE

Nossa falta de amor surpreende até nós mesmos. Estamos presos a uma época erguida nos alicerces frágeis dos nossos próprios medos. O tempo que passa mostra a sutileza da saudade que nunca chegou, transfere para nossos corações a impaciência múltipla dos instintos recriados nas ambições que circulam por nossos espíritos envoltos na realidade doída dos dias atuais. Há um desajustamento generalizado, um anseio por uma vida melhor, um grito abafado por silêncios ancestrais. Vivemos sem refletir, pouco nos importamos com os mais necessitados. Somos, realmente, seres distribuídos num planeta cansado. A compreensão, a humildade, o respeito aos mais desamparados não habita nossos corações. Desnorteados e inseguros, vagueamos pelo tempo construindo a liberdade ofuscada dos meninos suspreendidos com a solidão das coisas. Nossos defeitos são inúmeros, nossa ignorância espiritual é imensa. Somos tantos e não somamos esforços, cada um vive seu tormento e insegurança, sua dor e alegria. Ninguém rebusca-se interiormente, uns pensam que sabem tudo, outros que não sabem nada e muito poucos são humanos a ponto de reconhecerem a força que cada um carrega dentro de si mesmo. A questão não é saber tudo ou nada, a questão é ser simples e sincero.

Aroldo Ferreira Leão