ASSIM SOMOS


Assim somos: Podres na essência, indivíduos calados diante da realidade espiritual das coisas. Mantemos na alma a atemporalidade seca dos corações mais sozinhos, a dor angustiada dos seres eternamente dissolvidos nas circunstâncias irreais da vida. Tudo em nós é indecifrável, segredos que nos ajuntam nas tristezas corriqueiras, na isolada pretensão de estarmos nos refazendo a cada instante. Como sobrevivermos aos impactos violentos do mundo?! Como procurarmos em nós mesmos as forças silenciosas das naturezas singulares?! Nada em nós se encaixa, peças soltas no mistério insondável de nossos destinos esquecidos. Há retratos de velhos fantasmas, numa ampliação doentia de nós mesmos, nos vendo e revendo instantaneamente, nos impulsionando para os cotidianos que nunca respiramos. Viciosos intuitos nos prendem aos nossos isolamentos divagantes, nos aceleram na direção sem prumo dos pensamentos das mentes propensas a se moldarem ao caso. Estamos em quaisquer escuros, nas vias mal iluminadas da evolução, nos caminhos que conduzem a alma para as instâncias deformadas do ser. Nas esperas adormecemos, construímos a imprudência insossa das vidas que se perderam em si mesmas. Estamos a um passo do falso e do verdadeiro, em nossas almas se reúnem as fatalidades que nos marcaram e nos marcarão a vida inteira.


Aroldo Ferreira Leão
Juazeiro, 13/10/99