A poesia de Aroldo Ferreira Leão, neste contato que travei com sua obra, se assemelha a um desabafo... Vemos nesta poesia um escritor inconformado, às vezes, insatisfeito em outras, e acima de tudo, verdadeiro em toda a definição que faz do viver. Sentimos a sua poesia forte, como o troar longínquo de algum grito, ou alguma declaração de amor! São palavras que se unem para dizer as coisas mais importantes deste mundo, usadas para definir o indefinível, para tocar o intocável e para explicar o inexplicável. Definir o indefinível destino do ser, oprimido pelas grandes esperanças; tocar o intocável que se esconde no coração de cada um, naquelas vielas escuras, labirintadas e misteriosas, onde nunca ninguém jamais esteve, pelo temor que elas suscitam e pela agonia que elas representam; enfim, explicar o inexplicável do viver, do destino e das mazelas que nos infernizam neste mundo desarvorado e tão distante da divindade, explicar o inexplicável da mente humana, cheia de quartos apavorantes, de celas quadriculadas, cubículos inexatos, onde habitam, nas sombras, as mais terríveis criaturas, que representam, cada uma delas, as facetas de um único ser.

Carlos Moraes Júnior
Piracicaba/SP, 1998