Presságios – pressa + ágil = palavras que nos remetem a própria essência da poesia. É como se houvesse uma pressa, uma tentativa constante do querer produzir, indefinindo limites próprios. Assim concebo “Presságios” do jovem poeta Aroldo Ferreira Leão. No livro, estruturado em textos curtos, impregnados de valor semântico e grande carga sinestésica, as palavras criam asas, voam e pousam a nossa frente, ora claras, ora ambíguas, porém plurissignificativas. Observa-se, no transcorrer da leitura, um vai e vem de imagens que se aglutinam, formando uma totalidade de sentidos que às vezes vagas, depedaçam-se de froma dispersiva. De temática pluralítica, com palavras vez concretas, vez abstratas, sentimos através dos poros, todas as sensações que emanam das coisas, seres e sentimentos que nos cercam: medos, agonias, incertezas, noites, vazios, mágico, maturidade, silêncio, luto, nada... Os conteúdos trabalhados encerram: lirismo, geometria, filosofia e engajamento, denotando dores e esplendores dos homens que vivem e sentem o passar dos tempos em tempo. Outrossim, observa-se nos textos, às vezes fragmentados, a evocação de uma técnica que teima, apressadamente, em não se apresentar, como se o caminho ainda esperasse por vir, porém, certamente, não tardará em chegar. Daí, esperemos que a agilidade “doure” a maturação, e sem dúvidas, a arte despretensiosa e “paulatinamente” chegará, então o poeta se firmará.

Claudete Galvão
Petrolina/PE, 1997