A vida é às vezes um pouco dura conosco, roubando-nos aqueles momentos em que deveríamos estar a encher o peito e divagar por caminhos que só o poeta é capaz de fazê-lo possível. A vida é ainda dura conosco, quando deixa relegado ao abismo do esquecimento ou acalentando o fundo dos baús, poemas que poderiam revolucionar o mundo. A vida também é muito dura conosco, quando permite que o poeta seja jogado no mais escuro dos porões que resguardam os interesses particulares, em detrimento dos extensos salões da cultura. Mas a vida é bela. Ela transforma o poeta e sua poesia em fontes inesgotáveis de sabedoria e simplicidade. Como a fênix, faz a poesia acender a centelha da esperança em cada um de nós. Como é bela a vida, quando temos a oportunidade de conviver dia a dia com o poeta. Sentir o pulsar de suas emoções diante de coisas aparentemente banais, mas que na visão do poeta ganham magistral importância. Aroldo! Eis aí um poeta que é e vive aquilo que escreve.


Hercílio Filho
Ipatinga/MG, 1996