Aroldo se confunde com a própria poesia! Vive em permanente( e empolgado) estado de graça com a obsessão da palavra, com o impulso criador... É a poesia em sua face mais intensa e paradoxal: A mais doce e pacata criatura, enquanto a mais produtivamente inquieta metralhadora poética que já conheci; Arrebata-nos com o seu vigor de jovem e com a força transgressora da poesia de todas as épocas passadas. De uma facilidade de expressão e inspiração tão impressionantes, que costumo chamá-lo de “repentista da caneta”, em alusão aos nossos vates-violeiros, embora escreva sem forma pré-concebida(a forma é parte da criação). Seu engenho poético vai moendo espinhos antigos com dores modernas e produzindo fortes flores, ora soltas, ora metrificadas... Aroldo derrama com liberdade e precisão suas dores poético-existenciais nas dores formais da rima e da métrica, através de um exercício não convencional que vem enriquecer(com dor) a sua poesia. Rima e metrifica termos e sentimentos que se fundem ao ponto de não se saber onde termina a dor e onde começa o amor.

Maurício Ferreira
Petrolina/PE, 1995