ENTREVISTA - Aroldo Ferreira Leão - Poeta

O poeta Aroldo Ferreira Leão lançou no início de janeiro deste ano seu sexto livro de poemas denominado A Janela do Sótão, livro impresso e editado em 1998, onde envereda pela prática do soneto. O livro, que contém 100 sonetos, recebe metrificação não convencional de uma a sete sílabas, mostrando que o poeta está sempre atrás de novos rumos para sua poesia. É com ele que conversarmos num bate-papo que, temos certeza, trará para os leitores e não leitores de sua obra um pouco mais de sua própria pessoa.

O Cerveja: Aroldo, tendo você já lançado seis livros, quais seus próximos planos para este ano de 1999?

AROLDO: Pretendo ainda publicar mais cinco livros este ano fechando, desta forma, um ciclo de minha criação que eu chamaria de inicial onde eu busco um amadurecimento como poeta que produz muito e está disposto a produzir muito mais, caso a vida não me tire a própria vida. Meus sonhos são muitos e a eles estou atrelado continuamente.

O Cerveja: Quando começou a escrever?

AROLDO: Desde os 14 para 15 anos escrevo. Minha vida tem sido uma longa caminhada na direção de mim mesmo. E a literatura bem como a música têm me dado alicerce para eu sobreviver ante minhas próprias debilidades.

O Cerveja: Possui algum curso universitário?

AROLDO: Sim, sou formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e ainda cheguei a cursar alguns créditos de mestrado na Universidade Federal da Paraíba.

O Cerveja: Quais os autores de poesia que mais te impressionam?

AROLDO: Dos nacionais: Drummond, Bandeira, Mário Quintana, Augusto dos Anjos, Murilo Mendes, Paulo Mendes Campos, Vinícius de Moraes, Cassiano Ricardo, Pinto do Monteiro, Manoel de Barros, Alexei Bueno, Ângelo Monteiro, Geraldo Falcão, Walmir Ayala, Ferreira Gullar, Marcus Accioly, Adélia Prado, Virgílio Siqueira e outros tantos. Dos estrangeiros: Fernando Pessoa, Camões, T.S. Eliot, Pound, Petrarca, Florbela Espanca, Maiakóvski, Rimbaud e muitos outros.

O Cerveja: Qual o título do próximo livro a ser lançado?

AROLDO: Harmonia Dissonante. Continuarei lançando livros de poesia até o décimo livro. No décimo primeiro lançarei um livro de crônicas denominado Silêncios Atemporais, reunindo uma centena de textos escritos por mim em diversos jornais e revistas da região Petrolina/Juazeiro.

O Cerveja: Quem quiser obter teus livros, onde poderá encontrá-los?

AROLDO: Na Kuka Livraria, tanto de Petrolina como de Juazeiro; No Shopping de Petrolina numa espécie de livraria ambulante quase em frente a Laborfilmes ou então se dirigir ao Sebo Rebuliço, que é o maior ponto de encontro de artistas da região, que lá, com certeza encontrará meus livros para comprar.

O Cerveja: Você também compõe músicas, como acontece isso?

AROLDO: É bom que fique claro que como músico-instrumentista sou bastante limitado e pra compensar tal limitação tenho estudado bastante meu violão. No entanto, um fato interessante acontece comigo e isto desde criança me acompanha que é o fato de compor canções, digo eu, através do pensamento. Não sei como explicar, mas o fato é que possuo mais de 300 músicas passando pelos mais diferentes estilos. Em suma, tudo isso tem me levado a sonhar com a possibilidade de eu lançar meu primeiro CD visto que também adoro cantar.

O Cerveja: Seria uma espécie de tabelinha livro-CD que passeia pela tua cabeça?

AROLDO: Com certeza. Venho trabalhando bastante, tanto na escrita como nas composições, para que minha obra tanto no lado literário como musical ganhe em consistência e força.

O Cerveja: Qual é o teu trabalho atual, digamos, tua profissão atual?

AROLDO: Exerço a função de Auditor Fiscal na Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia desde março de 1994 através de um concurso que realizei e fui aprovado em outubro de 1993.

O Cerveja: Sabemos que tua esposa, Corrinha, deu a luz ao teu primeiro filho, uma menina. E aí, como está o espírito do poeta?

AROLDO: Aceso, como sempre. Meu primeiro filho com certeza trará uma grande luz de compreensão e carinho não só ao meu coração como também ao de Corrinha. Vínhamos esperando e planejando este filho com muito amor. É muito legal que minha filha, Isabela, tenha vindo num momento onde minha alma se sente cada vez mais aberta para a vida e a sutileza das coisas.

O Cerveja: Qual a tua idade hoje?

AROLDO: 31. Nasci em 12 de outubro de 1967, no dia das crianças, foi legal isso ter acontecido.

O Cerveja: Você ainda acredita na humanidade?

AROLDO: Sim. É no ser humano que a vida ganha um realce de beleza que, mesmo cheia de imperfeições, traz à tona a certeza de que estamos a caminho da perfeição.

O Cerveja: Quem é você?

AROLDO: Uma espiritual animal irracional, um ermo silêncio esquecido.

O Cerveja: Um verso teu para finalizar nossa entrevista!

AROLDO: No meu quarto livro denominado Presságios há um poema chamado "Mistério", que diz: "Há um tempo dentro do tempo/ Há uma morte para cada ressurreição/ Há um silêncio invadindo as atmosferas/ Dos universos mais sozinhos,/ Há ciclos de serenidades nas almas/ Mais aperriadas e complexas,/ Há vida dentro dos abismos.

Chico das Chagas
Jornal O Cerveja - Agosto de 1999