Aroldo Ferreira Leão e a Profusão Romântica

Apesar de todas as lutas modernistas e de todos os recessos do pós-modernismo, a estética romântica continua revelando, desvelando e enovelando-se pelos labirintos da poeticidade entre nós. Nordestinos e desnorteados. Brasileiros de todos os cosmopolitismos periféricos. Por que tanto romantismo? Poética da mais insaciável subjetividade. De emoções excedentes. De expressões e ou depressões abissais, recônditas, adjetivas. Onde se auto-perpetuam dores e amores, sonhos e dissabores. Rimas fartas para todos os sentimentos de solidão e solidariedade. Algo de mais profundamente ingênuo como se fosse uma sertaneja religião cósmica. Ingenuamente lírica e patética. Romântica sobrevivência num mundo onde as crueldades nos abatem por todos os lados e pulsões. Aroldo Ferreira Leão é um dos raros e caros sobreviventes nesta selva de pedras e perdas e precipícios. Ele não se cansa de cantar tudo o que lhe move, comove, sacoleja, alucina, entristece em busca de uma alegria tão familiar quanto mundana. Um toque de magia ao singular, segundo sua profusão romântica.

Jomard Muniz de Brito
Recife/PE, 07/04/2003