ESTAMOS

Estamos sempre a nos descobrir,
A nos revelar a ninguém.
Algo nos separa do que nos une,
Nos traz impactos e delírios esquecidos
Em nós mesmos.
Corremos para a lentidão
Espiritual desses nossos dias
De sutilezas escassas,
De amores desmentidos.
Há uma divergência
Em nossos destinos,
Um medo que nos retrata

Nas contingências de um tempo
Mascarado por nossa ignorância.
Diminuímos a cada dia que passa,
A cada instante somos levados
A sermos e a estarmos
Mais isolados e mais mesquinhos.
Deteriorados seguimos,
Fragilizados pela soberba
E pelo desamor,
Nada compreendemos de nada.
Flutuamos à mercê dos desencontros,
Suamos a camisa num jogo
De perdedores silenciosos,
Vítimas do abandono
Dos nossos próprios desejos.

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