MANHÃS FRIAS

Manhãs frias,
Dias
Em que somos vazias
Almas esticadas nas melancolias
Das cordas de um violão sem cordas. Correrias,
Perguntas, fobias
De um tempo de contingências
Pálidas, de nostalgias
Inúteis. Sem vias
Partimos para o nada.
Pertencemos às matérias
Desprezíveis, às pilhérias
Doídas dos loucos sozinhos, às cantorias
Sem som nem espectadores, às inércias
Dos sentidos das almas tristes. Paralisias
Nos conduzem por artérias
Que não sabemos se existem, nos trazem as obnóxias
Sensações que cansam e nos encucam. Morremos como polias
Que não podem mais girar nas engrenagens sombrias
De nós mesmos. Essências
Não nos habitam, incoerências
Nos tornam seres de demências
Freqüentes, de sonolências
Terríveis. O futuro nos apressa, mas continuamos figuras ímpias.

 

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