Aroldo Leão: Poesia e Música retratando a essência humana

Quem já teve a oportunidade de conhecer o trabalho do poeta Aroldo Ferreira Leão, 34 anos, fica um pouco sem entender porque ele só lançou seu primeiro livro há seis anos com "A trilogia da dor", no qual procurava retratar a alma humana e seus conflitos. E olhe que em 1990 Aroldo já havia participado de uma antologia - "Novos Poetas" - em Natal. Mas aquele velho ditado 'Antes tarde do que nunca' serviu para este potiguar nascido e criado em Parnamirim, a apenas 10 km de Natal. Depois da sua estréia na Poesia, que aconteceu quando veio morar em Petrolina (por volta de 94, em conseqüência de uma aprovação num concurso para auditor fiscal em Juazeiro), ele já conseguiu publicar 13 livros e 10 antologias em nível nacional. Agora, Aroldo revela mais uma faceta - a de compositor - lançando seu primeiro disco recheado de muito forró.
O próprio título, "Sacolejos e Manejos", já é uma referência explícita para se embalar ao som do tradicional ritmo nordestino, pois a intenção de Aroldo foi a de resgatar o forró no seu estado bruto, longe dos estilismos que hoje o descaracterizam.
Quem atesta isso é um amigo de Aroldo, o poeta petrolinense Jamesson Buarque (atualmente fazendo mestrado de Língua Portuguesa na Universidade Federal de Goiás), que fez questão de destacar: "Sacolejos e Manejos é a re-apropriação do forró. Re-invenção não à moda, mas a re-vitalização da música nordestina".
Para "fugir da mesmice", como ele próprio define o seu primeiro trabalho musical, as letras ganharam força e harmonia. Na verdade, quem já tem afinidade com as poesias de Aroldo, vai perceber facilmente que ele apenas estendeu sua inspiração para a música. Em "Bicho do Mato", que deve ser o carro-chefe, os refrões intercalam-se formando rimas. Já em "Irmão Carente" a letra foi concebida com a mesma terminação, do início ao fim (detalhe não muito comum em canções).
A marca indefectível da poesia de Aroldo pode ser notada ainda em "Parcas Criaturas" e "Canção do Tempo Perdido".
Em todas elas, ele revela que a temática é uma só: "Por meio de simples palavras, eu penetrei fundo na essência humana, pois sempre procuro me voltar para o ser humano, sob todos os aspectos", conta o poeta, confessando que sua veia musical surgiu antes mesmo de escrever versos. "Eu já compunha há muito tempo. Tenho mais de 400 canções escritas", completa.

Divulgação

Para alçar vôo como músico, ele pretende viajar ao Rio e São Paulo no final do ano, onde vai divulgar seu CD de estréia. Mas antes disso ele quer começar essa tarefa por aqui mesmo. No próximo dia 28, Aroldo deve reunir amigos e imprensa local para um show com as músicas de Sacolejos e Manejos, no pátio do Sesc - a data coincidirá com o aniversário de fundação da Emissora Rural, com a qual firmou uma parceria para sortear alguns discos durante o programa do radialista Edenevaldo Alves.
Quanto a planos futuros, ele revela que já está amadurecendo a idéia de gravar um novo CD, dessa vez mesclando ritmos que vão desde a MPB ao Rock. "O que me interessa é fazer um som de qualidade, não importa o ritmo", ressalta Aroldo.

Lado poético

Há um ano à frente da União dos Escritores de Petrolina, ele alega "falta de tempo" para continuar na função. E não é para menos. Como se não bastasse agora a música, o lado poético de Aroldo continua a todo vapor. Em abril do próximo ano, ele deve participar da Bienal Internacional do Livro, em São Paulo, juntamente com 100 escritores que fazem parte da Editora Scortecci. Também em 2002 Aroldo vai fazer parte de uma antologia bilíngüe envolvendo escritores do Brasil e da Inglaterra, elaborada pela Editora Blocos (RJ).
No momento, está em processo de edição a elaboração de mais de 20 livros pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores (CBJE), cuja sede fica no Rio, contendo poemas, contos e crônicas suas. Ainda esse ano, Aroldo participa da antologia "Poesias Brasileiras", pela Casa do Livro Editora, localizada em São José do Rio Preto (SP). Como se isso fosse pouco, ele está em fase de conclusão do curso de pós-graduação em Língua Portuguesa pela UFRJ. Para quem quer conhecer melhor o trabalho do poeta, é só acessar o site www.aroldoferreiraleao.com.br

Gazzeta do São Francisco, Petrolina - 7 a 13 de outubro/2001